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quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Música ou Interprete?
Dias atrás alguém postou no Facebook uma opinião sobre esse endeusamento que se faz de Cazuza e outros artistas, expondo o fato de que "uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa". Mas agora fui olhar novamente para a postagem e vi que a pessoa havia deletado... medo, sei lá... mas como comentei a mensagem em minhas postagens, vou comentar aqui para deixar registrada essa posição.
Fato é que hoje se vê filmes, reportagens, menções a Cazuza, Elis Regina, Raul Seixas, Tim Maia e outros, falando do bem que essas pessoas fizeram, que seres humanos maravilhosos etc e tal. Oque para mim é uma falácia absoluta!
Deixando claro desde já que adoro as músicas de Raul (todas), muitas de Tim Maia (Dia de Domingo está entre minhas Top 10), algumas poucas de Cazuza (mas admiro as letras), e muito poucas de Elis. Preferências não se discutem.
No entanto é fato também que muitas letras, muitas reflexões deixadas por estes intérpretes e compositores são memoráveis, e devem ser reverenciadas, cantadas, lembradas, e admiradas. Muitas mesmo!
Agora, dizer que estas pessoas foram exemplos de seres humanos, pessoas que devam ser reverenciadas e eternizadas em filmes pelas suas posturas independentes, pela racionalidade, pela liberdade expressiva ou qualquer coisa desse tipo é "chupar um pau na barraca!" (perdoem a expressão...) Mas é ridículo dizer que Cazuza tenha sido um exemplo para qualquer pessoa! O cara foi um desregrado absoluto.
Enquanto a bem da vida em sociedade se criam regras, normas, leis baseados em princípios que visam não criar intrigas, delinear uma "área comum", onde as pessoas não interfiram no pensamento, nos atos, e nas opiniões das outras, justamente para viver em sociedade e nos dar a liberdade de viver da forma que queremos lá dentro das nossas casas, onde aí sim, estabelecemos os nossos limites "más allá" se quisermos, mas na "área comum" tenhamos que agir dentro dos limites que terminam onde começam os demais! Todos estes citados foram usuários de drogas, boêmios, desregrados, muitas vezes irresponsáveis em horários, compromissos, várias vezes agindo até fora da lei, e muitas fora destes limites estabelecidos pelo senso comum. Isso dito e escrito em matérias de TV, jornais, livros, biografias etc... não sou eu quem está dizendo!
Não são exemplos para ninguém!
Vejam, eu não estou aqui falando de opções sexuais, de cor, de religião, nada disso!!! Cada um faz as escolhas que quiser e vive, lá nos seu reduto, dentro do seu limite, da forma que quiser! Me refiro as condutas agressivas, afastando-se dos limites estabelecidos pela família enquanto subordinados ao pátrio poder, afrontando a lei, agindo libertinamente, expondo-se irresponsavelmente ao mal das drogas e dando sim aí um belo exemplo, mas DO QUE NÃO DEVE SER FEITO!
Cazuza morreu definhado pela AIDS!!! Não sofreu sozinho, ao contrário fez sofrer uma gama imensa de fãs (ainda que ignóbeis) vendo-o morrer aos poucos e deixando a imagem final de um pobre jovem que outrora fora lindo, vivo, pujante, morrer esquelético, amarelo, fraco... aquele jovem cantor que multidões amavam ouvir e ver cantar... ele destruiu-se por opção! Isso não é um exemplo a ser seguido! Nunca!
Elis bebia, virava noites, viva uma vida louca, não sei dizer se usava drogas, mas o ambiente que frequentava era propício. Uma mãe, filhos para criar, uma família para cuidar. Também deixou-se morrer.
Tim Maia era completamente maluco, sem regras, bebia usava drogas, faltava compromissos, chegava atrasado aos shows, viva na boemia absoluta, tudo isso dito em livros até de Paulo Coelho seu grande amigo.
Raul Seixas, com aquelas letras maravilhosas, esse sim um compositor ímpar em minha opinião, mas o absoluto "maluco beleza", que vivia no "mundo da lua", vestia-se e aparentava, um homem sujo até. Drogas, vida maluca, vai saber se naquela época em que morreu já não morreu de AIDS também e nem se saiba, pois eram outros tempos...
Veja não são só eles, podemos acrescentar Elvis (que eu amo!!), Whitney Houston, Michael Jackson, todos com um ritmo de vida inconcebível. Remédios pra dormir, pra acordar, pra manter acordado, enfim...
Essa gente deve ser reverenciada por suas músicas, pelas letras, pelas mensagens de "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!", pois não eram exemplos a seguir! Foram exemplos a NÃO SEGUIR!
Temos que mostrar essa gente aos nossos filhos e dizer:
- "Viu meu filho, que triste uma pessoa ter tanta capacidade de criar e inspirar através de letras e músicas, mas não saber cuidar de si mesma. Seja diferente! Não siga o exemplo deles!"
A música? Talvez!
O intérprete? Também!
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